Pedro de Portugal, 1.º Duque de Coimbra

Irmão de D. Duarte e filho de D. João I e Dª Filipa de Lencastre, D. Pedro, mais que ninguém pugnou pela abertura do país à dinâmica cultural europeia, sublinhando a cultura como a mais importante fonte da grandeza das nações, sendo o oposto do seu irmão, Rei, que é descrito como mais dado ao sedentarismo e ao espírito cavaleiresco. No seu livro “Livro da Virtuosa Benfeitoria”, encontram-se ensinamentos cuja origem é o livro de Séneca “De Benefficíís,”, tais como, a “clementia” e a “liberalitas”. Quanto à “Carta de Bruges”, transcrevo o que está plasmado no sítio do Instituto Camões, “escrita a seu irmão D. Duarte, em que critica asperamente a falta de cultura da nossa administração. Para o Infante, importa que «príncipe e sabedor sejam uma só cousa», embora separe sabiamente a cultura da pura erudição, pois que a cultura é a luz da razão que orienta e ilumina o homem e lhe define um horizonte de felicidade, da qual no fundo o poder é um meio. A Carta de Bruges é uma crítica contundente à situação real do Estado Português, chamando a atenção de seu irmão, para o facto de ser pela cultura e pelo prestígio dos seus colégios e universidades que os estados se conseguem impôr no contexto das grandes nações do mundo”.

Estamos no século XV e já o fosso entre Portugal e o resto da Europa era enorme, mais tarde o Marquês de Pombal tenta encurtar criando o Real Colégio do Nobres, que nunca chegará a funcionar em pleno, por nunca ter tido os recursos necessários ao seu bom funcionamento e falta de interesse dos nobres. Tal era o grau de analfabetismo dos fidalgos portugueses que o general alemão Guilherme de Schaumburg-Lippe (nomeado marechal general do Exército Português), contratado pelo Marquês de Pombal para comandar as tropas portuguesas contra as investidas francesas e espanholas, e restituir à instituição militar o brio combativo de outros tempos, determinou que o posto de sargento só poderia ser ocupado por quem soubesse ler e escrever corretamente, porque o oficial comandante poderia não o saber, por ser fidalgo.

No tempo em que a televisão em Portugal era em tons de cinza havia um anúncio que dizia que a fama do Constantino vinha de longe, a nossa falta de instrução e cultura, essa vem mesmo de muito longe, será fado ou incúria das elites? Até quando vamos continuar a ser os servos da gleba e os limpa traseiros dos europeus do centro e norte da Europa? Será que a nossa ambição é sermos o Lar de Idosos dos outros europeus? Não teremos ambição para mais?

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