NORMALIDADE, SERÁ QUE A QUEREMOS? (Parte II)

Sendo o Covid 19 uma doença causada por infecção respiratória cujo agente responsável é o SARSCoV2, a causa para a Pandemia foi o modelo económico vigente no Planeta Terra. Após a queda do Muro de Berlim e o que se seguiu nos países que tinham estado sobre a influência do bloco soviético, o capitalismo demo-social transformou-se em capitalismo neoliberal. A frase “é a economia, estúpido”, que inicialmente parecia benemérita, traduz hoje o desinteresse pela qualidade de vida da esmagadora maioria da população mundial.

Os políticos ao se aperceberem que não tinham ideias para aumentar a qualidade de vida dos cidadãos viraram-se para a finança, fizeram um pacto muito parecido com o da lenda do alquimista alemão Johann Georg Faust, que viveu entre os séculos XV e XVI (Historia Von D. Johan Fausten (1587), de autor anónimo a  contando como Fausto vende a alma ao Diabo em troca de dons que não tinha). Desse pacto nasceu a “Economia a Crédito” e é que, apesar de vozes de alerta, se mantém na actualidade e que a pandemia veio fazer um Interregno, que todos apelidam de Crise. Se quisermos ser coerentes, podemos firmar que o interregno é da Crise, uma vez que antes da pandemia já a normalidade era a crise. Um exemplo elucidativo é que a geração que entrava no mercado de trabalho tinha perspectivas de bem-estar inferiores à geração dos seus pais e todos sentíamos que apesar de ainda termos alguns privilégios, estarem cada vez mais perto de terminarem.

A economia cada vez com crescimento mais anémico já era um zombie, dependia de sustento que era incapaz de gerar. Organismo que reúne as principais empresas financeira relatou em 2020 que no final de 2019 a dívida global correspondia a 322% do PIB Mundial (em 2018 correspondia a 230%) e que a tendência era para crescer. Se os economistas gostam de dividir a dívida em dívida produtiva e dívida de consumo, para estes números não conta esta divisão, já que o consumo de uns é o investimento de outros e tudo está baseado no crédito e se não existir uma catástrofe de proporções cósmicas, tem que ser amortizada (nem que sejam só os juros).

Esta economia a crédito leva-nos a equacionar o porquê de a grande preocupação dos governos ser o número de internados nos cuidados intensivos e o de mortes. Na minha opinião há duas hipóteses e só a segunda hipótese é a que está na cabeça dos políticos em virtude do pacto que fizeram. Assim:

– Não fazem política mediatizada, preocupam-se efectivamente com a saúde e com o bens estar das populações.

– Fazem política mediatizada, gerem o risco, já que numa sociedade que vive a crédito não pode haver Alto Risco, pois a dívida pressupõe continuidade, segura, para a pagar.

Em última análise, tenho para mim que, em abstrato, os políticos não se interessam pelo bem estar dos cidadão, interessa-lhes quer estejam vivos para que tenham a obrigatoriedade de pagarem as dívidas.

Este texto foi elaborado após a leitura do livro NORMALIDADE, de Carlos Leone, THEYA Editores, ISBN 9789899012523

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