A CULTURA COMO RELIGIÃO

Se nos instruirmos e educarmos permaneceremos livres. Neste esforço iremos conseguir ser a melhor versão de nós mesmos e faremos da nossa vida uma obra de arte. Não sou grande apreciador de Michel Foucault, mas não posso deixar de concordar com uma das suas ideias: “Chama-me a atenção o facto de que a na nossa sociedade a arte se tenha convertido em algo que diz respeito aos objectos e não à vida nem aos indivíduos. Porque é que uma pessoa qualquer não pode fazer da sua vida uma obra de arte? Porque é que um determinado candeeiro ou uma casa podem ser obras de arte e a minha vida não pode sê-lo?”

A resposta é-nos dada por grego no século II, quando escreve: “A única coisa que vale a pena é a educação. Todos os outros bens são humanos e pequenos e não merecem ser procurados com grande empenho. Os títulos nobiliárquicos são um bem dos antepassados. A riqueza é uma dádiva da sorte, que a tira e dá. A glória é instável. A beleza é efémera; a saúde, inconstante. A força física cai tomada pela doença e pela velhice. A instrução é a única das nossas coisas coisas que é imortal e divina. Porque só a inteligência rejuvenesce com os anos e o tempo que arrebata tudo, dá sabedoria à velhice. Nem sequer a guerra que, como uma enxurrada, varre e arrasa tudo, te pode tirar o que sabes”.

Na actualidade, creio que a resposta nem está dentro de cada um, não existe, é tema desconhecido. As famílias, pelo poder imenso da comunicação social, estão formatadas para serem produtoras de novos “servos da gleba”. Se ainda estivéssemos no tempo do Império Romano, diríamos que a grande mole faria parte do proletariado, isto é, os proletarii, que não se deve confundir com o proletariado caracterizado por Karl Marx no século XIX.

Houve um tempo em que pensei que o não querer saber se devia a pensarem que eram imortais e um dia batia-lhes à porta a sorte; abandonei essa hipótese e hoje creio que se deve ao niilismo inculcado pelos endinheirados. Se fizermos um esforço para começarmos a gostar de nós mesmos, a desejar sermos comentados pelas gerações futuras, como escreveu o grego, só através da cultura podemos alcançar esse desiderato.

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