AINDA SOBRE ASSOCIATIVISMO

“Em contextos educativos, é mais necessário do que nunca “cultivar a humanidade”, todas aquelas qualidades que desenvolvem as mais elevadas capacidades humanas face aos valores promovidos por uma sociedade utilitária que bane tudo o que não é considerado rentável.” Ana López de S.Román

Nesta sociedade neoliberal as suas organizações e órgãos de doutrinação social (anteriormente chamados órgão de comunicação social) tudo fazem para acabar com o colectivo, a comunidade, em favor do individualismo. Um exemplo bem visível do que atrás está escrito é o futebol, modalidade de grupo, já não uma equipa, um grupo de onze jogadores, mas um quase grupo constituído pelo somatório de micro grupos, alguns de um só elemento. O resultado disto vê-se nas selecções, muitas individualidades, nenhum espírito de grupo, de comunidade, os jogadores recusam-se a serem “carregadores de piano” para que os ODS louvem a apodada estrela.

Desde o tempo da Reforma que o capital, seguindo os ditames do luteranismo e calvinismo, incentiva o individualismo, cria a ilusão do indivíduo ser o centro do mundo, fomentando o egoísmo (falta de auto-estima), o que lhe vai provocar uma intensa sensação de impotência e insignificância. Este egoísmo provocado pelo sentimento de impotência e insignificância faz com que os relacionamentos entre indivíduos assumam um espírito de manipulação e instrumentalismo. O relacionamento passa a reger-se pelas leis do mercado, passa a ser uma guerra, e se necessário chega-se a fazer tudo para a destruição económica do outro. Sintomático disso é a relação entre empregador e empregado, em que o primeiro trata com indiferença o segundo, já que o emprega da mesma forma que emprega uma máquina. A relação é de utilidade, não de interesse um no no outro. Do mesmo modo, actualmente o freguês, em concreto, não tem a importância quer tinha em tempos não assim tão remotos. Há quarenta anos, o freguês que entrava numa loja comercial, cujo dono era uma pessoa concreta, tinha a certeza de ser atendido com interesse pessoal, a compra era importante para os dois; hoje a loja é um departamento do uma empresa sem rosto, só é importante como freguês abstrato, como freguês concreto é absolutamente sem importância.

Não há forma de travar o processo, há forma de o desacelerar, de reduzir a velocidade de progressão. Não há receitas, a família tem que ser a catalisadora de vontades e protectora dos seus membros; no associativismo encontramos força suficiente para tal, associativismo sindical como forma de encurtar a distância entre empregados e empregadores, associações de consumidores como defensores do bem estar dos fregueses. Antes de escrever sobre a arte e o associativismo permitam-me que lhes diga que, actualmente, por exemplo, os preços dos quadros de Van Gogh nada têm a ver com a arte em si, tem a ver com a reserva de capital que eles significam. Posso ser cego, compro um quadro por saber que é único, que renderá mais que o mesmo valor em acções de empresas, mesmo daqueles que se pensam ser sólidas económica e financeiramente falando. Assim, se nos outros sectores o associativismo é necessário, nas artes, ainda o é muito mais, o capital não reconhece o papel da Arte na evolução da humanidade, só nos associando conseguiremos que os direitos básicos sejam assegurados e possamos, depois, através das nossas capacidades criativas e de esforço alcandorar ao estádio almejado.

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