Esperto o pseudo-Experto

“Mais vale burro que me carregue que cavalo que me derrube”, mote para a Farsa de Inês Pereira, escrita por Gil Vicente e que ainda hoje caracteriza o português.

Esperto e Experto não são formas verbais com o mesmo significado, esperto não é a forma que o NAO (novo acordo ortográfico) encontrou para escrever experto. Numa consulta a dicionário verifica-se que têm significado diferentes, o esperto caracteriza melhor o português, apesar de variar o grau em cada um de nós.

Desde a sua fundação, Portugal sofreu sempre deste mal, as elites, na sua maioria analfabetas, formataram o Povo à sua imagem, incutindo-lhes a esperteza em vez de educação e instrução que proporciona, após aturado trabalho, ser-se perito em determinada área de conhecimento. Actualmente as elites (só mudou o tipo de analfabetismo), importam acefalamente as ideias de organismos internacionais, o que se traduz numa chorrilho de asneiras que serve para destruir a escola (instrução), o que fará com que a médio prazo o português seja sinónimo de alimária, nos fóruns mundiais.

Os políticos sempre à procura de portas giratórias dão cobertura com discursos populistas a elogiar a esperteza e o orgulho por a grande maioria do povo português ser experto em esperteza, apesar desta visão nos ter sempre empobrecido.

No nosso atraso secular não é de admirar que ainda não tenha sido traduzido para português, se é que alguma irá ser, a obra de Catherine L’ Ecuyer “ Conversaciones con mi maestra” (Esparsa, 2021), um ensaio em forma romanceada “que analisa as principais correntes educativas e procura esclarecer dúvidas de pais, professores e políticos”. A autora do livro, canadiana residente em Barcelona, investigadora doutorada em Educação e Psicologia, deu uma entrevista a Nacho Meneses em que esclarece algumas questões e ideias erradas que circulam no presente, desfaz mitos sobre o que deve ser Educar e sobre o papel da escola e dos professores. Essa entrevista pode ser lida em

https://elpais.com/economia/formacion/2021-09-23/catherine-lecuyer-hay-que-desconfiar-de-los-metodos-educativos-que-venden-un-aprendizaje-facil-y-acelerado.html , se difere de Portugal é por ainda ser pior que em Espanha.

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